10/set/2013

Duplo ângulo no México

Pedro Manga está no México já há alguns meses. Depois de atacar de monoquilha as maiores da série, agora ele colocou sua câmera para funcionar dentro dos salões de Puerto Escondido.

Desconfortável com o crowd absurdo e as “marolas” do mês de agosto, Manga resolveu apostar em algumas imagens aquáticas. “Se for para pegar uma no meio dessa gente toda, que seja para valer a pena”, diz Manga.

E valeu muito a pena, Manga acabou produzindo um vídeo com seus tubos em duplo ângulo: um filmado da beira da praia e o outro por uma câmera junto à rabeta de sua prancha.

Aqui vocês conferem o vídeo produzido pelo próprio Manga, ao som da banda porto alegrense Soullages.

15/mar/2013

FREESURF JOURNEY – SECOND STOP

Freesurf Journey esse é o nome do projeto alucinante que o videomaker Kako Lopes vem desenvolvendo em parceria com o fotógrafo Bruno Lemos e os atletas da Freesurf. Uma jornada que consiste em passar por alguns dos melhores picos de surf do mundo. Esse sonho começou no Mexico, Baja Malibú, (lugar escolhido para primeira parada) praia calma e com altas ondas, foi o cenário perfeito para a primeira produção.

Agora vem a segunda parada na ilha de Oahu, no North Shore Havaiano. Este clip é estrelado pelos atletas Binho Nunes, Peterson Marchese e Pedro Aguiar e tenta passar um pouco da adrenalina e tensão da onda mais conhecida e desejada do mundo PIPELINE. Veja e confira!

15/fev/2012

Pedro Manga em entrevista para o Waves

Nosso fresurfer Pedro Manga Aguiar, gaúcho de Porto Alegre, deu entrevista ao Thiago Rausch sobre a temporada 2011, a indicação ao prêmio XXL e sua história como big rider. O resultado completo você pode conferir no Waves. E por aqui a gente separou os melhores trechos. Confira:

Você acampou sozinho na beira da praia em Teahupoo, na Austrália, em Puerto Escondido, sem a menor segurança e conforto. Conta o que significa para você essa vibe do surf que te fez encarar essas situações que seriam roubadas épicas para qualquer ser humano “normal”?
Na verdade, foi um prazer viver esses “ sacrifícios”. Não que minha vida hoje em dia seja muito mais sofisticada, mas era realmente uma vida sem conforto. O que importava naquele momento era estar sendo honesto comigo mesmo e viver o que eu havia sonhado por anos. Durante minha primeira ida para a Califórnia, percebi que mesmo trabalhando e economizando quase todo o meu salário, era difícil conseguir juntar grana para pagar todos os custos de uma trip. Então, passei a me preocupar somente em conseguir juntar o suficiente para comprar uma passagem aérea e chegar aos picos. Uma vez nos lugares, ia conhecendo gente e tentava encontrar algum lugar para acampar de graça, de preferência. Assim, conseguia ficar meses pegando onda em alguns dos melhores picos do mundo. Em alguns momentos eu me questionava se aquilo estava certo, se ficar distante da família e vivendo daquela forma valeria a pena. Mas a resposta vinha quando eu terminava o dia satisfeito, feliz com o que havia vivido.

Em agosto passado você estava presente em Teahupoo, no dia que foi considerado o mar mais perigoso da história do big surf até então. Você foi um dos destaques na água, surfando várias ondas e tendo reconhecimento mundial com tamanha coragem e performance. Conta um pouco da vibe desse dia.
Acordei com o dia clareando e fui encontrar o Gordo (Felipe Cesarano), meu parceiro de tow in, que disse que estaria me esperando na marina de Teahupoo. Vi que o mar já estava gigantesco e bem de Oeste, o que quer dizer que a onda fecha no final. Não tinha ninguém pegando onda ainda, apenas um ou dois barcos e jet skis no canal. As cenas que vi foram meio perturbadoras. Apesar de lindas, as ondas estavam mais mutantes que o normal, e praticamente todas fechavam rápido demais no final. Eu não tinha muita ideia do tamanho que estava, pois não tinha ninguém na onda para que pudesse ter uma referência, mas era óbvio que tinha 5 metros pra cima…
Eu e Gordo assistimos a uma série detonando na bancada, e achamos melhor ir ao pico e surfar, pois ficar olhando era assustador demais. Ficamos alguns minutos tentando decidir quem iria primeiro. Um dizia ao outro: “Pode ir você primeiro, não tem problema não, tranquilo”. Até que Gordinho pulou do jet e foi pra corda. Acabou que abrimos o pico no dia mais sinistro da história em Teahupoo. Acabei por ficar mais de 10 horas na água naquele dia. Coloquei Gordinho na onda da vida dele, na qual ele se machucou, e depois de levá-lo até a ambulância, coloquei mais dois malucos nas ondas das suas vidas – Anthony Walsh e o local Manu.
Foi demais ver as expressões no rosto desses caras depois dessas ondas. Até Gordinho, que saiu todo arrebentado, ficou amarradão, com um sorriso meio bizarro na cara… Também acabei pegando algumas ondas legais, mas fiquei mais contente mesmo foi com a forma com que me senti à vontade e saí ileso depois de uma session de 10 horas. Minha melhor onda foi a última. Fiquei vendo a bancada de coral embaixo da prancha o tempo todo enquanto estava na boca do tubão. Depois ela baforou e não vi mais nada. Só sei que a onda fechou e fui para o fundo. Bati no coral de costas, mas eu estava de colete e capacete. Então, nem me machuquei. Depois disso vi que já era 5 da tarde e eu estava exausto. Não tinha comido nada o dia inteiro. Achei que estava de bom tamanho e tirei o time de campo.

Uma onda sua nesse dia está concorrendo ao prêmio máximo do surf de ondas grandes, o XXL, o Oscar do surf mundial das big waves. Conte mais sobre ela e como você se sente sendo indicado para esta premiação.

Sim, a onda que está concorrendo ao XXL foi minha última naquele dia. Como eu disse, foi tudo muito rápido, eu lembro mais da bancada de coral que eu conseguia ver embaixo da minha prancha o tempo todo. Eu só estava concentrado em me manter na base da onda e não ser puxado pra cima… Foi uma satisfação enorme receber essa indicação.
Não sei como chegaram até mim, mas provavelmente estavam assistindo a session nos barcos no canal. Devem ter visto a minha onda e descobriram quem era. Sei que não tenho chance de ganhar, pois as ondas dos concorrentes estão bem melhores, mas mesmo assim acho legal ter sido lembrado.

Todo o mundo do surf estava ligado nessa session, já que a etapa do World Tour estava acontecendo ali e foi interrompida pelo swell monstro. Teve até webcast ao vivo para os quatro cantos do planeta. Você tem noção da façanha que você e os outros malucos protagonizaram e ainda que os melhores surfistas do mundo estavam ali, apenas assistindo apavorados, e até mesmo Kelly Slater nem em seus mais remotos sonhos ou pesadelos pensou em estar surfando com vocês?
Pra falar a verdade, foi uma surpresa pra mim que quase nenhum dos tops quis cair na água com a galera. Alguns dias antes do swell, quando vi que ia quebrar gigante, achei que estaria o maior crowd, chegou a me dar um desânimo. Imaginei que os tops todos iriam querer pegar pelo menos uma bomba, mas não foi o que aconteceu. Quando o dia chegou, ninguém quis nada com aquele mar… O único que pegou uma foi Julian Wilson. Os demais tops do Tour ficaram todos no canal assistindo.

Conte como foi seu acidente em dezembro passado, em Pipeline, Hawaii, e como está a recuperação?
Fui explodido pela onda e bati no fundo com uma força que nunca havia batido. Foi uma pancada seca na lateral da bacia e nas costas. Minha perna esquerda ficou bamba devido à pancada no glúteo. Na hora, achei que podia ter acontecido algo realmente sinistro. Mas, embaixo da água mesmo mexi os pés e vi que estava tudo certo, foi uma felicidade enorme e até dei uma relaxada. Quando subi do caldo veio mais uma espuma grande na cabeça. Depois disso consegui puxar minha prancha pelo leash e peguei um espumão até a areia. Uma vez na beira da praia, consegui ficar de pé, mas não conseguia caminhar, pois minha perna esquerda não estava respondendo. Rastejei praia acima um pouco e fiquei deitado na areia esperando alguém vir me ajudar. O engraçado é que a praia estava lotada, todos me vendo ali deitado, mas tive que esperar alguns minutos para virem me ajudar. Depois veio um salva-vidas e uns turistas que me carregaram praia acima.

Como foi a situação de sair da água sozinho com a coluna afetada, sem a ajuda de ninguém?
Foi uma das experiências mais intensas da minha vida, desde o momento em que percebi que estava numa situação complicada na onda, até a hora em que cheguei à areia. Durante o caldo me lembrei de um amigo taitiano que sofreu uma lesão na mesma parte do corpo, e lembrei do meu amigo Inaldo, que acertou forte o fundo em Pipe uns anos atrás. Os salva-vidas me examinaram e acharam que não era nada de mais, então me mandaram pra casa, mas quando cheguei em casa a dor começou a me preocupar. Então, pedi que me levassem ao hospital. Lá fizeram raios-x e viram que tinha lesões nos ossos da região, tanto na bacia quanto nas vértebras da coluna, mas a medula estava intacta, pra minha sorte…

E que sorte em Manga!
A gente fica por aqui torcendo para uma temporada 2012 com mais ondas gigantes e menos sustos.
A entrevista completa você confere aqui.