10/ago/2015

Entrevista com Armandinho

O cantor que tem o surf na alma (entrevista para a Revista FreeSurf Mag)

Armandinho conta um pouco da sua relação com o surf, sua trajetória, sua agenda corrida entre shows, família e composições. Descubra um pouco mais sobre o cantor que já viajou muito atrás de boas ondas.

Freesurf - Você nasceu numa cidade que não tem praia. Como foi essa aproximação com o surf?

Armandinho - Minha aproximação com o surf foi no início da década de 80 quando eu estudava no Colégio Anchieta, em Porto Alegre. Tinha vários colegas que surfavam, que tinham irmãos que traziam pranchas de fora. Mas a primeira vez que eu fiquei em pé em cima de uma prancha na água foi em janeiro de 1983, na frente do edifício Mar Negro, em Tramandaí, no Rio Grande do Sul. Desde lá, nunca mais parei.

 

Freesurf - Recentemente você esteve no Havaí. Conte como foi?

Armandinho - Sim estive lá no início deste ano. Nenhuma onda é igual à do Havaí. Já viajei para vários lugares do mundo. Fui para a Indonésia, Califórnia, Peru, Costa Rica, mas acho que só em Fernando de Noronha tenha sentido alguma sensação parecida com a que se tem no Havaí. É uma onda de ilha, uma onda oceânica. E realmente ela tem uma magia, um poder, que só quem teve no Havaí sabe. Em Sunset foi onde peguei uma das ondas que mais gostei e surfei. Em Haleiwa também tem uma bela onda. Foi uma viagem de aprendizado, com muitos amigos, uma viagem mágica. O Havaí é o Havaí!

 

Freesurf - Você tem uma prancha favorita para pegar onda? Como é sua coleção?

Armandinho - Tenho algumas pranchas favoritas. Tem gente que gosta de um monte de coisa. Eu além de guitarras, gosto muito de pranchas.

Gosto de ter, de conhecer de experimentar. Então é impossível ter uma só. Tenho cinco pranchas que eu gosto muito entre biquilhas, monoquilhas e quadriquilhas. Tem uma triquilhas muito boa também, da época que eu surfava de pranchinha. Hoje, só pego onda de vez em quando de pranchinha, a maioria das vezes uso a prancha “old school”.

Acho que as pranchas são como as mulheres. Cada uma teu seu encanto, sua beleza e magia.

 

Freesurf - Você já viajou muito atrás de boas ondas. Qual seu pico preferido?

Armandinho - Acho que por inúmeras razões, por ter muitos amigos, porque já fui muitas vezes e por ser um lugar onde tu vais pegar certo ondas boas, e sempre vai ter onda. É o Peru. O país tem uma cultura incrível. Os peruanos são gente boa. Seja no sul ou norte, lá é o lugar que mais gosto de surfar.

 

Freesurf - Como é a vida com a agenda corrida entre shows e família, dá pra cair no mar todo o dia?

Armandinho - Não dá pra cair no mar todo o dia. O trabalho consome o meu tempo. Mas nos dias que eu não estou trabalhando eu estou sempre surfando. Acho que chega até ficar chato às vezes, porque as pessoas dizem “Pô Armando, tu não faz outra coisa… só pensa em surfar e surfar”. Sei lá, acho que sou meio viciado (risos).

 

Freesurf - Como o surf influencia suas composições?

Armandinho - Acho que o surf em si influencia também as minhas composições. Mas tudo que envolve a natureza, os amigos de todas as idades, o aprender a respeitar, a esperar e o saber a sua vez, tudo isso acaba influenciando diretamente nas minhas músicas. Sem falar fora d’água, na beira da praia onde sempre tem uma musa que inspira uma música. Então, acho que “lifestyle” todo que influencia, não só o ato de subir na prancha.

 

Freesurf - Como é estar tanto tempo na estrada?

Armandinho - Ficar na estrada é cansativo. É trabalho como qualquer outro. É preciso saber dosar, deixar o coração falar e ter profissionalismo. Sinto saudades da família, saudades das crianças, de não estar nos finais de semana com elas, nas fotos dos aniversários. Isso não tem como voltar atrás. Mas ao mesmo tempo, eu penso que meu trabalho é para elas. Elas entendem isso, e eu fico mais tranquilo em relação ao não estar em casa.

 

Freesurf - Tirando o reggae, quais outros estilos musicais quevocê curte?

Armandinho - Tirando o reggae, o rock com certeza. O rock clássico, dos anos 70 e também o rock das bandas dos anos 90, além da black music dos anos 70. Do reggae eu escorrego para o rock, é onde eu me sinto bem.

 

Freesurf - Tem alguma música que te marcou mais, que você mais gosta de cantar?

Armandinho - Hoje são muitas muitos ao longo destes 15 anos de carreira de Armandinho e banda. Mas acho que a música que mais gosto de cantar é a “Eu juro”. Pelo ritmo, pela letra, pelo que ela significa, porque ela foi feita para a mãe das minhas filhas. E pelo jeito que as pessoas se emocionam quando escutam ela nos shows.

 

Freesurf - Você pode definir em poucas palavras quem é hoje o cantor Armandinho?

Armandinho - Eu acho que o cantor Armandinho é um caraigual a todo mundo. Já tive um monte de problemas com drogas e álcool e consegui superar. Mas a vida é sempre uma escada e a gente tem que ir subindo. E sempre sabendo que a gente tem que ter humildade para dar o próximo passo. Eu sou uma pessoa que luta eternamente comigo mesmo. Sou pai da Antônia e da Marcela. Meu principal objetivo na vida hoje é criar essas meninas com amor, com respeito, com dignidade e procurar errar o menos possível.


08/jan/2013

“O” Som: The Wailing Wailers

Acreditem se quiserem, mas o cara do meio é ninguém menos que o rei Bob Marley. E esta é uma das fotos de divulgação do The Wailing Wailers, álbum de estreia da banda The Wailers, da qual o mestre fazia parte.

E o som sempre foi dos melhores né?! A ingenuidade dos moleques em começo de carreira deixava o som do reggae ainda mais convidativo. Então curte o som: I’m Still Waiting.

 

Foto: Pinterest

02/jan/2013

Para recomeçar com tudo: Jimmy Cliff

Depois de um fim de ano e de um feriado prolongado, nada como iniciar o novo ano em grande estilo. E para isso, nada melhor do que um veterano como o Jimmy Cliff. E por que será que a gente ainda não falou dele por aqui?

Mas nunca é tarde. E quem aí conhece a história do cara? Ele foi o cara que abriu as portas do reggae na Europa e difundiu a cultura jamaicana pelo mundo. Mesmo assim, é o menos compreendido pelo universo do reggae pois se assumiu muçulmano e negou o rastafári. Com isso os rastas indignados fizeram com que Jimmy decidisse se mudar para a Inglaterra e assim começar o seu trabalho por lá.

Pra curtir o som dele, Reggae Night, som clássico!

 

Foto: Pinterest

26/abr/2012

Som de surfista: Midnite

É um bom reggae. Para a galera que é fã do estilo musical que embala muitos caras do surf, a banda é Midnite. Os norte-americanos tocam juntos desde 1989 e o som deles segue a linha do clássico reggae jamaicano, inspirado em Bob Marley, é claro.

As letras, sempre com uma mensagem de reflexão e protesto contra opressão e falhas, fazem da música deles um instrumento de inspiração para tomada de atitudes e também para o surf. Com muito afinco, os reggaeiros levam a fé e a essência rastafári nas suas composições.

O som que a gente sugere hoje é “Love the life you live”, do primeiro disco de estúdio dos caras, Unpolished, de 1997.

É só curtir!

 

Foto: Oficina de Macados