03/abr/2012

Pedro Manga, quase 100%

“Não há lugar nenhum onde eu preferiria estar”. É o que contou o freesurfer portoalegrense Pedro Manga, 30 anos, voltando ao Tahiti (onde mora atualmente), no início de março, após três meses no Hawaii. Manga estava levando uma vida mais calma, enquanto se recuperava de uma lesão nas costas, sofrida em Pipeline, no no passado.

Enquanto me recuperava, torcia pelos meus amigos a cada swell grande que atingia o arquipélago havaiano. Nos dois meses seguintes fui aos poucos me sentindo melhor e recuperando os movimentos das costas. Ao final da temporada já estava começando a me sentir bem e comecei a pegar umas ondas. Nos meus últimos dias no Hawaii ainda tive a oportunidade de conhecer Jaws (as melhores ondas do mundo, ao norte de Maui).  Comprei uma passagem para Maui (segunda maior ilha havaiana) de última hora para presenciar um swell de bom tamanho que iria acertar Jaws. Apesar de não estar na minha melhor forma física, queria ao menos dar uma olhada na onda, para ter uma ideia do tamanho do desafio que vou encarar na temporada havaiana do ano que vem. E pude ver que a onda de Jaws é sinistra, desde a entrada até a saída da água. Sem falar na onda em si, que é muito mais pesada ao vivo do que qualquer imagem consegue mostrar.  Entrei na água e remei ate o pico, mas estava um vento violentíssimo. O mar, apesar de grande, estava todo mexido. Acabei não pegando nenhuma onda, mas tomei uma grande na cabeça e pude ver que o negócio não é brincadeira.

E o nosso atleta conta ainda como se sente fisicamente e fala da volta ao pico, Teahupo’o, costa oeste do Tahiti, e das primeiras loucuras no mar depois do retorno.

Esse lugar por si só me faz bem. Depois de quase um mês em Teahupo’o já me sinto quase 100% recuperado fisicamente. Bastante treino físico e alongamento, e meu corpo está voltando ao normal. Nos primeiros dias de volta ao Tahiti, coloquei o meu Jet Ski na água pra ver se estava tudo certo, e a principio parecia que ele estava funcionando perfeitamente. Então fui conferir um pico remoto depois da ponta sul da ilha. Uma vez lá, amarrei o Jet nos corais e fui pegar onda, sozinho no meio do nada. Depois de uma session de direitas tubulares perfeitas, desamarrei o Jet e fui tentar ligar, mas só ouvi um ‘click’ e nada do motor. Para minha sorte, estava com meu celular e telefonei para um amigo que estava dando uma volta com seu barco não muito longe de onde o Jet havia me deixado na roubada. Meu amigo me encontrou em alto mar e me rebocou até terra firme. Depois disso tive que trocar uma parte eletrônica do motor do Jet. Mas agora está tudo certo, estou pronto pro próximo Tow-in swell.

E pra fechar as novidades do nosso parceiro Pedro Manga, o atleta nos contou sobre a nova vida no Tahiti e as expectativas na busca das ondas perfeitas sempre.

No momento estou morando no veleiro de um amigo, que está ancorado a 500 metros do pico de Teahupo’o. É uma experiência incrível estar vivendo no mar, numa lagoa de um azul transparente, coisa de sonho. Durante esse mês de março ainda não rolou nenhum swell realmente épico, apesar de terem rolado vários dias de um metro e meio perfeitos. Tenho feito longas sessions de surf, perco a conta de quantos tubos pego por dia, é difícil descrever esse estado de espírito. Às vezes chego no veleiro já de noite,  destruído depois de um dia inteiro de surfe, e tudo o que eu quero é minha cama.  Mas quando me deito para descansar, apesar de exausto, não consigo pegar no sono, excitado de saber que no dia seguinte vou fazer a mesma coisa de novo. 

A FreeSurf tem orgulho de um cara como este no nosso roll de atletas e manda boas energias para a recuperação total do Pedro Manga, que já está dropando ondas por aí.

15/fev/2012

Pedro Manga em entrevista para o Waves

Nosso fresurfer Pedro Manga Aguiar, gaúcho de Porto Alegre, deu entrevista ao Thiago Rausch sobre a temporada 2011, a indicação ao prêmio XXL e sua história como big rider. O resultado completo você pode conferir no Waves. E por aqui a gente separou os melhores trechos. Confira:

Você acampou sozinho na beira da praia em Teahupoo, na Austrália, em Puerto Escondido, sem a menor segurança e conforto. Conta o que significa para você essa vibe do surf que te fez encarar essas situações que seriam roubadas épicas para qualquer ser humano “normal”?
Na verdade, foi um prazer viver esses “ sacrifícios”. Não que minha vida hoje em dia seja muito mais sofisticada, mas era realmente uma vida sem conforto. O que importava naquele momento era estar sendo honesto comigo mesmo e viver o que eu havia sonhado por anos. Durante minha primeira ida para a Califórnia, percebi que mesmo trabalhando e economizando quase todo o meu salário, era difícil conseguir juntar grana para pagar todos os custos de uma trip. Então, passei a me preocupar somente em conseguir juntar o suficiente para comprar uma passagem aérea e chegar aos picos. Uma vez nos lugares, ia conhecendo gente e tentava encontrar algum lugar para acampar de graça, de preferência. Assim, conseguia ficar meses pegando onda em alguns dos melhores picos do mundo. Em alguns momentos eu me questionava se aquilo estava certo, se ficar distante da família e vivendo daquela forma valeria a pena. Mas a resposta vinha quando eu terminava o dia satisfeito, feliz com o que havia vivido.

Em agosto passado você estava presente em Teahupoo, no dia que foi considerado o mar mais perigoso da história do big surf até então. Você foi um dos destaques na água, surfando várias ondas e tendo reconhecimento mundial com tamanha coragem e performance. Conta um pouco da vibe desse dia.
Acordei com o dia clareando e fui encontrar o Gordo (Felipe Cesarano), meu parceiro de tow in, que disse que estaria me esperando na marina de Teahupoo. Vi que o mar já estava gigantesco e bem de Oeste, o que quer dizer que a onda fecha no final. Não tinha ninguém pegando onda ainda, apenas um ou dois barcos e jet skis no canal. As cenas que vi foram meio perturbadoras. Apesar de lindas, as ondas estavam mais mutantes que o normal, e praticamente todas fechavam rápido demais no final. Eu não tinha muita ideia do tamanho que estava, pois não tinha ninguém na onda para que pudesse ter uma referência, mas era óbvio que tinha 5 metros pra cima…
Eu e Gordo assistimos a uma série detonando na bancada, e achamos melhor ir ao pico e surfar, pois ficar olhando era assustador demais. Ficamos alguns minutos tentando decidir quem iria primeiro. Um dizia ao outro: “Pode ir você primeiro, não tem problema não, tranquilo”. Até que Gordinho pulou do jet e foi pra corda. Acabou que abrimos o pico no dia mais sinistro da história em Teahupoo. Acabei por ficar mais de 10 horas na água naquele dia. Coloquei Gordinho na onda da vida dele, na qual ele se machucou, e depois de levá-lo até a ambulância, coloquei mais dois malucos nas ondas das suas vidas – Anthony Walsh e o local Manu.
Foi demais ver as expressões no rosto desses caras depois dessas ondas. Até Gordinho, que saiu todo arrebentado, ficou amarradão, com um sorriso meio bizarro na cara… Também acabei pegando algumas ondas legais, mas fiquei mais contente mesmo foi com a forma com que me senti à vontade e saí ileso depois de uma session de 10 horas. Minha melhor onda foi a última. Fiquei vendo a bancada de coral embaixo da prancha o tempo todo enquanto estava na boca do tubão. Depois ela baforou e não vi mais nada. Só sei que a onda fechou e fui para o fundo. Bati no coral de costas, mas eu estava de colete e capacete. Então, nem me machuquei. Depois disso vi que já era 5 da tarde e eu estava exausto. Não tinha comido nada o dia inteiro. Achei que estava de bom tamanho e tirei o time de campo.

Uma onda sua nesse dia está concorrendo ao prêmio máximo do surf de ondas grandes, o XXL, o Oscar do surf mundial das big waves. Conte mais sobre ela e como você se sente sendo indicado para esta premiação.

Sim, a onda que está concorrendo ao XXL foi minha última naquele dia. Como eu disse, foi tudo muito rápido, eu lembro mais da bancada de coral que eu conseguia ver embaixo da minha prancha o tempo todo. Eu só estava concentrado em me manter na base da onda e não ser puxado pra cima… Foi uma satisfação enorme receber essa indicação.
Não sei como chegaram até mim, mas provavelmente estavam assistindo a session nos barcos no canal. Devem ter visto a minha onda e descobriram quem era. Sei que não tenho chance de ganhar, pois as ondas dos concorrentes estão bem melhores, mas mesmo assim acho legal ter sido lembrado.

Todo o mundo do surf estava ligado nessa session, já que a etapa do World Tour estava acontecendo ali e foi interrompida pelo swell monstro. Teve até webcast ao vivo para os quatro cantos do planeta. Você tem noção da façanha que você e os outros malucos protagonizaram e ainda que os melhores surfistas do mundo estavam ali, apenas assistindo apavorados, e até mesmo Kelly Slater nem em seus mais remotos sonhos ou pesadelos pensou em estar surfando com vocês?
Pra falar a verdade, foi uma surpresa pra mim que quase nenhum dos tops quis cair na água com a galera. Alguns dias antes do swell, quando vi que ia quebrar gigante, achei que estaria o maior crowd, chegou a me dar um desânimo. Imaginei que os tops todos iriam querer pegar pelo menos uma bomba, mas não foi o que aconteceu. Quando o dia chegou, ninguém quis nada com aquele mar… O único que pegou uma foi Julian Wilson. Os demais tops do Tour ficaram todos no canal assistindo.

Conte como foi seu acidente em dezembro passado, em Pipeline, Hawaii, e como está a recuperação?
Fui explodido pela onda e bati no fundo com uma força que nunca havia batido. Foi uma pancada seca na lateral da bacia e nas costas. Minha perna esquerda ficou bamba devido à pancada no glúteo. Na hora, achei que podia ter acontecido algo realmente sinistro. Mas, embaixo da água mesmo mexi os pés e vi que estava tudo certo, foi uma felicidade enorme e até dei uma relaxada. Quando subi do caldo veio mais uma espuma grande na cabeça. Depois disso consegui puxar minha prancha pelo leash e peguei um espumão até a areia. Uma vez na beira da praia, consegui ficar de pé, mas não conseguia caminhar, pois minha perna esquerda não estava respondendo. Rastejei praia acima um pouco e fiquei deitado na areia esperando alguém vir me ajudar. O engraçado é que a praia estava lotada, todos me vendo ali deitado, mas tive que esperar alguns minutos para virem me ajudar. Depois veio um salva-vidas e uns turistas que me carregaram praia acima.

Como foi a situação de sair da água sozinho com a coluna afetada, sem a ajuda de ninguém?
Foi uma das experiências mais intensas da minha vida, desde o momento em que percebi que estava numa situação complicada na onda, até a hora em que cheguei à areia. Durante o caldo me lembrei de um amigo taitiano que sofreu uma lesão na mesma parte do corpo, e lembrei do meu amigo Inaldo, que acertou forte o fundo em Pipe uns anos atrás. Os salva-vidas me examinaram e acharam que não era nada de mais, então me mandaram pra casa, mas quando cheguei em casa a dor começou a me preocupar. Então, pedi que me levassem ao hospital. Lá fizeram raios-x e viram que tinha lesões nos ossos da região, tanto na bacia quanto nas vértebras da coluna, mas a medula estava intacta, pra minha sorte…

E que sorte em Manga!
A gente fica por aqui torcendo para uma temporada 2012 com mais ondas gigantes e menos sustos.
A entrevista completa você confere aqui.

07/fev/2012

Manga concorre a Ride of The Year

O big rider Pedro Manga Aguiar, nosso parceiro e atleta FreeSurf, foi um dos grandes nomes de 2011. Em dezembro sofreu acidente em Pipeline, ao pegar uma onda gigante, deixando todo mundo apavorado. Mas foi só susto, e o cara tá se recuperando para mais uma temporada cabulosa.
Falando em cabulosa, não poderia ter palavra melhor para descrever um dos episódios do ano para Manga: Teahupoo, de tow in, no mar mais sinistro que já se deu por lá.
E ele foi lá e fez.

Esse vídeo está na lista de indicados ao “Ride of The Year”, premiação que escolhe o surfista com a melhor onda no ano. E aí, o que vocês acham? Já é do Manga esse troféu?

27/out/2011

FreeSurf Mag nas ruas

A cada nova coleção lançamos a FreeSurf Mag, publicação que traz os look da nova temporada, entrevistas exclusivas com os nossos atletas, e muito surf! A última edição traz na capa uma das ilustrações do Binho Nunes para a Signature Series, o SlashDog.

Lá dentro tem editorial assinado pelo Glauber Pacheco, muitas fotos do verão 2012, Movie Mix, reportagens sobre a Nicarágua, Mentawai e a superação do Pedro Manga em Teahupoo.

Entrevista com um dos maiores cinegrafistas do Surf, Taylor Steele, matéria sobre as mulheres nas ondas, snowboarding, dicas sobre como usar, ou não, as quilhas, músicas para antes e depois do banho, além de curiosidades, links para vídeos irados e até gastronomia!


Ficou curioso para ler toda a revista? Vai até o ponto de venda FreeSurf mais próximo e pega a sua, ou entra no site para ler a versão online. E fica ligado aqui no blog, que a gente vai mostrar mais as reportagens e dicas da FreeSurf Mag.